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Uma Iniciativa de Adriano Novo

Clima no meio político é de pessimismo sobre manutenção do mandato do vereador Vini

Até agora, foram protocolados no Legislativo campineiro três pedidos de abertura de Comissão Processante



O clima no meio político de Campinas é de pessimismo com relação ao futuro do mandato do vereador Vini Oliveira (Cidadania), após repercussão negativa de vídeos que mostram visitas do parlamentar à sede de uma das empresas vencedoras da licitação do transporte público coletivo da cidade. Até agora, foram protocolados no Legislativo campineiro três pedidos de abertura de Comissão Processante (CP) contra Vini Oliveira. 

Vereadores consultados pela reportagem do Correio Popular demonstraram descontentamento com relação à postura do parlamentar e sinalizaram uma possível aprovação da medida, que é o ponto de partida para um processo de cassação de mandato. As propostas de criação de CP serão apreciadas na sessão legislativa de segunda-feira. 



Os pedidos para a abertura de uma CP foram feitos após vídeos de câmeras de segurança registrarem o parlamentar em um encontro no escritório da Smile Transportes, empresa que faz parte do grupo da Rhema Transporte, uma das vencedoras da licitação do transporte público de Campinas. 

O vereador recebeu dois pacotes, que foram guardados em uma caixa preta e levados embora por ele e seu chefe de gabinete, Marco Antônio Castigleri. 

Líder da maior bancada no Legislativo, o vereador Nick Schneider (PL) explicou que ainda não houve uma reunião com os pares para a discussão sobre a abertura ou não de uma CP. Tal reunião deve ocorrer na segunda-feira antes da sessão plenária. 

No entanto, ele ressaltou que “entende que a matéria veiculada na TV e nos demais meios de comunicação, demonstrando a visita do Vereador Vini Oliveira a uma empresa de ônibus que participa de um processo bilionário de licitação, em pleno andamento do rito administrativo, é muito preocupante. As imagens e áudios apresentados trazem muita suspeição sobre a conduta do vereador e isso tem que ser esclarecido.” 

Débora Palermo (PL) e Nelson Hossri (PL) confirmaram a reunião da bancada na segunda, contendo a discussão dos pedidos de abertura de CP. Palermo afirmou que “as denúncias são graves. Eu acredito que a CP será aberta”. Hossri, por sua vez, afirmou que pretende analisar as denúncias e acrescentou que “pelas imagens e resposta do denunciado, achei muito grave e acredito que ocorra a necessidade de uma investigação profunda”. 

A vereadora Paolla Miguel (PT), afirmou que Vini Oliveira precisa ser investigado. “Esse vídeo que veio a público revela um suposto esquema de corrupção e de favorecimento de um vereador, o que é muito grave. Contudo, há elementos naquela gravação, como a compra da Zona Azul, que levantam ainda mais suspeitas: até onde o próprio vereador estaria envolvido nisso?”. Ela também adiantou que os vereadores do partido votarão a favor da abertura da CP. “É preciso também que o Ministério Público investigue a relação entre o vereador e a empresa: que ligações eles teriam? O que estava acontecendo? Por que ele visitou a empresa naquele momento? O que havia dentro do envelope? São várias perguntas”, acrescentou. 

Essa não é a primeira vez que o vereador enfrenta problemas na Câmara Municipal. Em 2025 o vereador foi o centro de uma Comissão Processante (CP) que o absolveu de acusações de abusos durante uma fiscalização no Hospital Dr. Mário Gatti. 

Segundo nota divulgada pelo Legislativo, o primeiro documento é de autoria da vereadora Mariana Conti (PSOL), que relata denúncia veiculada em reportagem por uma emissora de televisão, segundo a qual o parlamentar teria sido flagrado em empresa de transporte no início de abril, menos de um mês após o leilão da concessão do transporte público municipal. No texto, a vereadora aponta que “Vini Oliveira teria comparecido ao local, participado de reunião com outras pessoas e deixado o ambiente portando caixa, sacola, envelopes ou malote de conteúdo não esclarecido”. Procurada, Mariana Conti afirmou que “obviamente sou favorável à abertura da comissão que eu apresentei, mas como proponente eu não posso votar. Quem assume é o meu suplente, o Paulo Bufalo. Que vai votar favorável”. 

O segundo pedido de autoria do ativista Adriano Vieira Novo tem o mesmo teor da denúncia apresentada por Mariana Conti. O terceiro pedido de Comissão Processante, assinado por Aparecido José de Oliveira, se refere a outro assunto. Desta vez seria a contratação de uma funcionária para atuar como assessora parlamentar, mas que sem que a mesma prestasse serviço no gabinete dele. 

Vini Oliveira utilizou sua conta no Instagram para se pronunciar sobre o caso. No vídeo, ele alegou que recebeu documentos, assim como divulgado em um vídeo na rede social no dia 2 de abril, sobre denúncias que envolvem o transporte público de Campinas. De acordo com Oliveira, tais documentos foram encaminhados ao Ministério Público de São Paulo (MPSP). 

Ele também mostrou os supostos envelopes recebidos na reunião, neles estariam drives com as mesmas denúncias em versões eletrônicas. “Eu não prevariquei, não tenho nada a esconder. (...) Foram duas visitas à empresa, como visitante, para verificar como a empresa opera o transporte em Paulínia”, justificou o vereador. 

O MPSP foi procurado e respondeu que está checando as informações sobre se de fato o vereador entregou os documentos recebidos por ele. 


COMISSÃO DE ESTUDOS 

No dia 18 de maio, a Câmara Municipal de Campinas aprovou a criação de uma Comissão Especial de Estudos (CEE) para acompanhar o processo de licitação do transporte público da cidade. Proposta pelo vereador Benê Lima (PL), a comissão terá a função de monitorar todas as etapas do certame, incluindo recursos administrativos, análises de órgãos de controle, homologação, adjudicação e a futura assinatura do contrato. 

O grupo também poderá promover audiências públicas, reuniões técnicas e solicitar documentos relacionados à licitação. Com prazo de 180 dias para apresentar um relatório com análises e recomendações. Segundo Benê Lima, o grupo solicitará à Prefeitura os documentos enviados ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e poderá convocar representantes das empresas participantes, da Prefeitura e de órgãos como a Emdec para prestar esclarecimentos sobre o processo licitatório. 

A criação e futuros trabalhos desta comissão podem estar em cheque, uma vez que ela é formada pelos vereadores Benê Lima, Filipe Marchesi (PSB), Roberto Alves (Republicanos), Dr. Yanko (PP) e Vini Oliveira. Procurado, Benê Lima afirmou que, até o momento, Vini Oliveira será mantido como membro da comissão. “Segundafeira decidiremos qual vai ser a posição dos vereadores”, observou Lima. 


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Adriano Novo, Vila Padre Anchieta, Campinas

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